| # | Código↑ | Título↑ | Área↑ | Apresentação |
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| 01 | 4744860 | Anatomia e Morfologia | MARIA STELA MARRELLI CALDAS LEITE LUCAS +2 | |
AutoriaMARIA STELA MARRELLI CALDAS LEITE LUCAS1, Ariadna E. Morales2, Hernani Fernandes Magalhães de Oliveira3
ResumoMost mammals are characterized by a heterodont dentition, including four types of teeth, which are classified according to their position and function: incisors, canines, premolars and molars. The dental formula represents the dentition numerically, making it a great tool for taxonomic identification and morphological comparisons between groups. Among bats, the second most diverse order of mammals, a systematic compilation of dental formulae is lacking since information is scattered in literature, with uneven taxonomical coverage, unclear records of intraspecific variation, and knowledge gaps on rare and geographically restricted species. We therefore, aim to systematically collate information on this highly relevant trait for all living species of bats. Our work is a study case for the Big Bat Database project, launched under the umbrella of the Global Union of Bat Diversity Networks (GBatNet), and aims to integrate a wide range of bat phenotypes to facilitate integrative research on ecology, evolution and conservation. In this first phase, we present a compilation on dental formulae. We revise primary literature sources, such as the Handbook of the Mammals of the World. Vol 9 for bats (HMW9) and Koopman (1994), chosen as they include the most recent and the first compilation of bat dental formulae, respectively. Both sources report incomplete information, for example, the HMW9 reports information for only 336 of the total number of bat species, including assumptions that, in some cases, the same dental formula applies for all the species in the same genera. Surprisingly, only 10 of the 21 extant bat families have a recorded dental formula. In Koopman (1994) all dental formulae are mentioned as the same for all species of this genera, neglecting interspecific variations. Our results highlight the knowledge gaps and lack of systematic reporting and compilation on bat dental formula, a fundamental trait for taxonomic identification across mammals. Our next steps include the revision of additional records including sources such as the Mammal Diversity Database platform and additional literature records based on original species descriptions and visual inspections from digital records from Natural History Museums . Our work demonstrates the need of a global database with a systematic and unified data collection. |
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| 02 | 2263350 | Anatomia e Morfologia | Danieli Fernanda Zanelatto +1 | |
AutoriaDanieli Fernanda Zanelatto1, Ana Maria Rui1
ResumoA fenestração e a deiscência são alterações ósseas que podem ocorrer tanto na maxila quanto na mandíbula de mamíferos. A fenestração consiste em uma abertura circunscrita no osso alveolar, expondo parcialmente a raiz sem envolver a borda óssea. Já a deiscência caracteriza-se pela perda do osso alveolar que recobre a raiz dentária, resultando em sua exposição e comprometendo a margem alveolar. Embora amplamente descritas em humanos, em animais silvestres esses achados são pouco documentados, sendo descritos, principalmente, em primatas e, de forma pontual, em algumas espécies de carnívoros. Nesse contexto, o presente estudo representa o primeiro registro dessas alterações ósseas em morcegos, ampliando o conhecimento sobre sua ocorrência entre mamíferos. Os resultados poderão subsidiar estudos comparativos futuros e investigações voltadas à compreensão da etiologia dessas variações ósseas. Este estudo tem como objetivo registrar a ocorrência de fenestrações e deiscências em Tadarida brasiliensis (I. Geoffroy Saint-Hilaire, 1824) (Chiroptera, Molossidae), analisando sua distribuição anatômica e frequência. Foram examinadas as maxilas e mandíbulas, em estereomicroscópio, de 465 sincrânios de indivíduos adultos, sendo 212 machos e 253 fêmeas. Os resultados indicam a ocorrência de fenestrações em 293 indivíduos (63%), 138 machos (65%) e 155 fêmeas (61%); e deiscências em 42 indivíduos (9%), 23 machos (10,8%) e 19 fêmeas (7,5%). Entre os indivíduos com as alterações, 35 (7,5%), 18 machos (8,5%) e 17 fêmeas (6,7%) apresentaram ambas as alterações. As alterações foram observadas predominantemente na mandíbula, com maior associação ao osso alveolar de incisivos e pré-molares, enquanto na maxila, o padrão de ocorrência concentrou-se na região dos pré-molares e molares. Fenestrações e deiscências apresentam etiologia ainda não completamente esclarecida. Em humanos, sua ocorrência tem sido associada a fatores anatômicos, como a reduzida espessura da cortical óssea sobre as raízes dentárias, a morfologia radicular e a inclinação dentária, bem como a fatores mecânicos relacionados às forças mastigatórias. Esses fatores podem favorecer a redução do suporte ósseo periodontal e o desenvolvimento de sensibilidade dentária. Os resultados demonstram que fenestrações e deiscências são alterações ósseas frequentes na espécie estudada, sem evidências de natureza patológica e impacto na saúde dos indivíduos avaliados. Palavras-chave: Tadarida brasiliensis; Molossidae; osso alveolar; morfologia craniana. |
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| 03 | 2323588 | Biologia da Conservação | Ana Maria Rui +1 | |
AutoriaAna Maria Rui1, Iris Brandão Monbaque2
ResumoAs listas vermelhas de espécies ameaçadas avaliam risco de extinção e têm aplicação na detecção de espécies frágeis e na definição de estratégias de conservação e manejo. Porém, a efetividade das listas depende de sua atualização periódica e do avanço da obtenção de dados populacionais. Atualmente, a metodologia da IUCN (International Union for Conservation of Nature) está consolidada para avaliações globais e regionais. No presente estudo, nós realizamos uma revisão das avaliações globais da IUCN e das avaliações regionais de morcegos nos diferentes países da região Neotropical. Nosso objetivo é responder a questão da atualidade e abrangência das listas, fatores que influenciam a sua aplicabilidade. Nessa primeira etapa, utilizamos como modelo de análise morcegos da família Phyllostomidae, que tem ampla distribuição geográfica e diversidade. Os dados da avaliação global foram compilados no site da IUCN através da ferramenta de busca avançada disponibilizada. Os dados das avaliações reginais disponibilizados pelos países foram localizados através de buscas no Google e com o uso de Inteligência Artificial. A IUCN avaliou, de 2014 à 2016, 205 das 231 espécies de Phyllostomidae, destas 191 espécies foram incluídas em categorias de não ameaçadas (141 LC, 36 DD e 14 NT) e 14 ameaçadas (7 VU, 6 EN e 1 CR), através dos critérios A (6), B (3), C (3) e D (2). Quanto às avaliações regionais, dos 63 países e territórios, 25 listam espécies de Phyllostomidae ameaçados, totalizando 166 avaliações e 103 espécies nas categorias VU (67), EN (55), CR (8) ou em categorias próprias (36). A maioria delas foi categorizada através dos critérios A (40) e B (30), poucas através de C (2) e D (4) e 90 avaliações não informaram os critérios utilizados. A lista regional mais antiga é de 2004, mas 90 das 166 avaliações foram realizadas após 2020. Nossa avaliação indicou que nem todas as espécies de filostomídeos foram avaliados pela IUCN e que as avaliações estão defasadas, comprometendo sua aplicação em estratégias de conservação. Vários países têm realizado esforços na elaboração de listas de espécies ameaçadas recentemente, porém, há países que não utilizam a metodologia da IUCN, comprometendo as comparações entre países e com a lista global. A alta inclusão de espécies em categorias de ameaça através dos critérios A e B, indicam a ausência de dados populacionais consistentes das espécies em risco de extinção. Palavras-chave: categorias, Chiroptera, conservação, critérios, IUCN, Phyllostomidae. |
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| 04 | 6649267 | Biologia da Conservação | Letícia Lima Correia +21 | |
AutoriaLetícia Lima Correia1, Samantha Valente Dias1, Vitória Gabriela Santos de Lima1, Rafaela Jemely Rodrigues Alexandre, Daniel Maximo Correa Alcantara2, Eder Barbier3, Rayanna Hellem Santos Bezerra4, Leandra Rose Palheta1, Alexsandro Dias Pinheiro1, Camila López-Rivera5, Liliana Tlapaya-Romero6, Katherine Portilla, Liliana Trujillo-Pahua, Fredy A. Rivera-Páez7, Héctor E. Ramírez-Chaves5, Domenico Otranto8, Albert David Ditchfield9, M. Alejandra Camacho10, Ludmilla Moura de Souza Aguiar11, María Magdalena Ramírez-Martínez12, Gustavo Graciolli13, Thiago Bernardi Vieira1
ResumoThe limited availability of geographic distribution data for bat ectoparasites in Neotropics, a gap known as the Wallacean shortfall, represents a significant shortcoming in parasitological and conservation knowledge. Obligate bat flies (Diptera: Streblidae and Nycteribiidae) are highly specialized ectoparasites that depend on their hosts for dispersal and survival, yet their distributions remain largely undocumented across the Neotropics, particularly in the Amazon Basin. Here, we modeled the potential geographic distributions of 15 bat fly species, five new country records for Brazil and ten range extensions within the Amazon, thereby substantially updating the known distribution of several species. Our approach incorporated both environmental variables and host species distributions to improve model accuracy and reduce overprediction. We integrated primary occurrence data from field collections and digital biodiversity databases, filtering the data rigorously to minimize spatial autocorrelation and sampling bias. We employed an ensemble modeling framework that combines four algorithms: Maxent, Random Forest, Support Vector Machine, and Bayesian Gaussian. A key methodological innovation was the independent modeling of host bat distributions, used to constrain parasite predictions, producing more realistic scenarios that reflect host-parasite associations. Species associated with widely distributed hosts, such as Carollia perspicillata, exhibited extensive potential ranges across multiple biomes, whereas host-specific species displayed notably restricted or fragmented distributions, suggesting higher vulnerability to environmental change. Host richness weighting further refined predictions, showing that areas with greater host diversity support richer bat fly assemblages. Our results demonstrate the utility of host-informed distribution models for reducing Wallacean shortfalls in host-parasite systems, providing a robust and transferable framework for future biogeographic, ecological, and conservation studies. This approach is particularly relevant for understudied parasite groups, where occurrence data are sparse but ecological constraints are strong. By integrating host distributions into species distribution modeling, we offer a pathway to more accurate risk assessments and conservation planning for dependent species, especially in megadiverse yet threatened regions such as the Amazon. |
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| 05 | 4207265 | Ecologia | keven tharlyson santos lemos +2 | |
Autoriakeven tharlyson santos lemos1, Vitória Gabriela Santos de Lima1, Thiago Bernadi Vieira1
ResumoIntrodução Os morcegos desempenham importantes funções ecológicas nos biomas brasileiros e são um dos grupos com a maior diversidade de espécies, tanto mundial quanto no país, visto que o Brasil abriga cerca de 13% de toda a diversidade mundial de Chiroptera. Nesse contexto, métodos de rarefação e extrapolação tornam-se ferramentas indispensáveis para estudos sobre padrões de diversidade, devido a padronização das amostras. Possibilitando assim a comparação entre comunidades de diferentes ambientes e esforço amostral desigual. Objetivo: Comparar a diversidade taxonômica de morcegos entre os biomas brasileiros com base em curvas de rarefação e extrapolação, estimando os números efetivos de espécies, a fim de identificar quais biomas apresentam maior riqueza e equitabilidade. Materiais e Métodos: O banco de dados inicialmente contava com 13.445 registros de ocorrência de morcegos, incluído ocorrências da literatura científica, com coordenadas válidas, e dados primários. A inclusão de registros da literatura foi realizada a partir da pesquisa utilizando termos "bats", "community" e "Brazil" em plataformas acadêmicas. Foram estimados os números de Hill para os valores de q correspondentes ao índice de riqueza (q = 0), à entropia de Shannon (q = 1) e ao inverso do índice de Simpson (q = 2). As análises foram realizadas no ambiente R. O principal pacote utilizado foi o iNEXT3D, sendo a curva de rarefação baseada no tamanho amostral, com um intervalo de confiança 95%. Resultados: A Amazônia apresentou valores de q=0, q=1 e q=2 iguais a 154, 99,42 e 78,05, respectivamente, indicando alta riqueza e alta equitabilidade. Já o Cerrado (154; 66,53; 41,97) e a Mata Atlântica (147; 51,28; 27,97) exibiram alta riqueza, porém menor equitabilidade. Os demais biomas analisados registraram valores inferiores nos parâmetros avaliados. Discussão: As curvas de rarefação e extrapolação mostraram que a Amazônia possui maior diversidade efetiva (q=1 e q=2) que Cerrado e Mata Atlântica, sem sobreposição dos intervalos de confiança. As curvas de riqueza (q=0), porém, indicaram potencial semelhante entre Amazônia e Cerrado (~154 espécies). A discrepância entre alta riqueza e baixos q=1 e q=2 no Cerrado e Mata Atlântica indica baixa equitabilidade, provavelmente devido a impactos antrópicos. Conclusão: Com base nas análises, a região Amazônica concentra a maior diversidade taxonômica de morcegos no brasil. Palavras chaves: “Chiroptera”, “bioma”, “Amazônia”, “diversidade”, “rarefação” |
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| 06 | 9226220 | Ecologia | Juliana Nascimento Magno +7 | |
AutoriaJuliana Nascimento Magno1, Giovana Batista Soares2, Lívia Dorneles Audino3, Fernanda Santos Delgado Silva4, Livia Vitória de Aguiar Oliveira5, Marco Túlio Magalhães Souza6, Deivid Gonçalves Campos7, Naiara Carvalho de Lima8
ResumoAs cavidades naturais subterrâneas constituem importantes abrigos para diversas espécies de morcegos, desempenhando papel fundamental em atividades como repouso, reprodução e proteção contra predadores. Apesar da relevância desses ambientes para a quiropterofauna, ainda são escassos os estudos capazes de avaliar padrões de uso espacial de cavidades ao longo do tempo por meio de registros de captura, marcação e recaptura. Nesse contexto, o presente estudo avaliou padrões de fidelidade de abrigo e movimentação de morcegos entre cavidades ferruginosas da Serra Azul, no município de Itatiaiuçu, Minas Gerais, com o objetivo de investigar o uso espacial desses abrigos ao longo do monitoramento. Foram analisados dados provenientes de dois programas de monitoramento bioespeleológico de longo prazo conduzidos em um conjunto de 14 cavidades ferruginosas da região, abrangendo aproximadamente quatro anos de monitoramento. Ao longo das campanhas, foram capturados 230 indivíduos, dos quais 185 foram marcados individualmente por meio de anilhas metálicas, resultando em 20 registros de recaptura (10,8%), sendo um deles referente a um indivíduo previamente anilhado em outro estudo. Para a análise de fidelidade aos abrigos, foram considerados os 19 eventos de recaptura referentes aos indivíduos marcados nos programas de monitoramento, dos quais 13 (68,4%) ocorreram na mesma cavidade e seis (31,6%) envolveram deslocamentos entre cavidades. As recapturas evidenciaram tanto fidelidade a abrigos específicos quanto deslocamentos entre cavidades. Os deslocamentos entre cavidades foram registrados para indivíduos de Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata, Anoura caudifer e Carollia perspicillata, indicando que o uso de múltiplos abrigos não esteve restrito a uma única espécie. Os deslocamentos variaram de aproximadamente 30 m a 1,5 km entre cavidades. Esses resultados evidenciam predominância de fidelidade aos abrigos, embora deslocamentos entre cavidades também tenham sido registrados, sugerindo que a conectividade entre cavidades desempenha papel importante na dinâmica de uso desses abrigos. Além de ampliar o conhecimento sobre a ecologia espacial de morcegos em ambientes ferruginosos, o estudo demonstra o potencial de programas de captura-marcação-recaptura para revelar padrões de uso de abrigos dificilmente detectados em levantamentos pontuais. |
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| 07 | 6611525 | Fisiologia | Thayse Cristine Melo Benathar +7 | |
AutoriaThayse Cristine Melo Benathar1, Ariovaldo P. Cruz-Neto2, Charles Loren Buck3, Giulliana Appel1, Juan Carlos Vargas Mena1, Matthew R. Coyle3, Valéria da C. Tavares1, Leonardo Carreira Trevelin1
ResumoNo sudeste da Amazônia, a conversão de paisagens para mineração e agropecuária impõe pressões crescentes sobre habitats naturais e a biodiversidade associada. Assim, cavernas naturais funcionam como refúgios-chave para espécies raras de morcegos, contribuindo para a manutenção de funções ecológicas essenciais. Ainda assim, há evidências limitadas sobre colônias remanescentes de espécies cavernícolas respondem fisiologicamente a essas alterações. A região abriga mais de 2.000 cavernas ferruginosas distribuídas em áreas protegidas e matrizes mineradas e agropecuárias, configurando cenário estratégico para avaliar os efeitos da transformação da paisagem sobre morcegos cavernícolas. Neste estudo, investigamos a variação de parâmetros hematológicos e da condição corporal de Lonchorhina aurita, morcego insetívoro cavernícola do sudeste amazônico, entre paisagens prístinas, mineradas e agropecuárias. Foram avaliados hemoglobina, hematócrito, glicose, perfil leucocitário, razão neutrófilo-linfócito e condição corporal, indicadores associados ao estado fisiológico, balanço energético, resposta imune e homeostase. As diferenças entre tratamentos envolveram massa corporal, variáveis hematológicas e leucograma. A massa corporal variou entre paisagens, embora sem contrastes par a par consistentes. A hemoglobina foi mais elevada em áreas agropecuárias em relação à paisagem prístina, sugerindo alterações no perfil eritrocitário. A proporção de neutrófilos foi menor em áreas de mineração e agropecuária, tanto na análise geral quanto entre machos, enquanto os linfócitos aumentaram em áreas mineradas, especialmente nesse grupo. A razão neutrófilo-linfócito também diferiu entre tratamentos, com redução em machos de áreas mineradas e tendência semelhante em áreas agropecuárias. As fêmeas não apresentaram diferenças consistentes. Em conjunto, os resultados indicam que L. aurita apresenta respostas fisiológicas associadas à alteração da paisagem, sobretudo na condição corporal e nos perfis hematológicos e leucocitários. Embora tais mudanças não indiquem comprometimento imediato da saúde, sugerem ajustes compensatórios com possível relevância em longo prazo. A elevada variabilidade individual e a menor replicação em paisagens antropizadas devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A integração de marcadores morfológicos e hematológicos reforça o potencial da fisiologia da conservação para monitorar a saúde de morcegos em paisagens amazônicas sob pressões antrópicas. |
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| 08 | 7642375 | Genética | Sebastião Maximiano Corrêa Genelhú +4 | |
AutoriaSebastião Maximiano Corrêa Genelhú, Evandro Novaes, William Douglas de Carvalho, Arthur Setsuo Tahara, Renato Gregorin ResumoA compreensão dos padrões de fluxo gênico e diversidade genética em morcegos é fundamental para entender como diferentes espécies respondem à dinâmica da paisagem. Este estudo utilizou genotipagem por sequenciamento (GBS) para avaliar a diversidade e a estrutura genética de seis espécies de morcegos (A. planirostris, C. perspicillata, C. villosum, D. rotundus, G. soricina e M. nigricans) em uma área cárstica no sul de Minas Gerais. As análises revelaram um gradiente de estruturação genética entre as espécies. A. planirostris, C. perspicillata, C. villosum e D. rotundus apresentaram alta conectividade genética e predominância de um único cluster genético (K = 1). Em contraste, G. soricina exibiu estruturação genética evidente (K = 2), com formação de agrupamentos distintos, apesar da ausência de diferenciação detectável pela Análise de Variância Molecular (AMOVA). M. nigricans apresentou padrão intermediário, com sinais de mistura genética e estruturação detectada por sNMF (K = 2), embora sem separação clara na Análise de Componentes Principais (PCA) e com suporte para K = 1 no ADMIXTURE. Os níveis de diversidade genética também variaram entre as espécies. A. planirostris e D. rotundus apresentaram os maiores valores de diversidade nucleotídica, enquanto G. soricina apresentou os menores níveis; as demais espécies exibiram valores moderados. Apesar dessas diferenças, o teste D de Tajima corrigido foi significativamente negativo para todas as espécies (p < 0,001), indicando um cenário compatível com expansão populacional recente. Os resultados demonstram que, embora as espécies compartilhem uma história demográfica semelhante, as respostas genéticas contemporâneas são espécie-específicas e dependem da biologia de cada táxon. Palavras-chave: Admixture; Diversidade genética; Estruturação populacional; Fluxo gênico; GBS; Morcegos. Agradecimentos: Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG; processo CRA–RDP–00079-18) pelo apoio financeiro. S.M.C.G. agradece à FAPEMIG pela bolsa de doutorado sanduíche (processo APQ-04229-23) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq; processo 88887.805181/2023-00). R.G. foi financiado pelo CNPq (processo 301946/2022-1). E.N. foi financiado pelo CNPq (processo 314269/2023-1). W.D.C. possui contrato de pós-doutorado financiado pelo Ministério da Ciência, Inovação e Universidades da Espanha (processo RYC2023-045231-I). |
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| 09 | 7515016 | Genética | Camila Francisco Gonçalves +6 | |
AutoriaCamila Francisco Gonçalves1, Bruno Henrique Saranholi2, Nathalia Bulhões Javarotti1, Carla Cristina Gestich3, Patrício Adriano da Rocha4, Pedro Cordeiro-Estrela4, Pedro Manoel Galetti Jr1
ResumoO DNA metabarcoding tem se destacado como uma ferramenta poderosa para o estudo da biodiversidade e das interações ecológicas, permitindo a identificação molecular de espécies a partir de amostras não invasivas. Para animais de vida livre e de difícil monitoramento, como os morcegos, o uso de fezes como fonte de DNA representa uma alternativa eficiente e menos invasiva, ampliando a cobertura amostral e a necessidade de eutanásia. No entanto, a qualidade do DNA obtido pode ser fortemente influenciada pelos métodos de preservação, que diferem em custo, eficiência e aplicabilidade em condições de campo. Neste estudo, avaliamos o desempenho de etanol absoluto, Longmire lysis buffer e RNALater na preservação de amostras fecais de morcegos, considerando a concentração e a integridade do DNA recuperado. Utilizando redes de neblina, foram coletados cinco morcegos insetívoros e três frugívoros, em uma área de preservação permanente urbana em abril de 2026. Após a captura, os indivíduos foram acondicionados em sacos de pano modal esterilizados, onde permaneceram por cerca de 40 minutos antes de serem liberados. Os bolos fecais encontrados no interior dos sacos foram divididos igualmente entre as soluções teste e mantidos em temperatura ambiente por cinco dias. O DNA foi extraído utilizando o Kit QIAamp PowerFecal Pro (Qiagen) e a concentração do DNA recuperado foi avaliada por fluorometria (Qubit) e espectrofotometria (NanoDrop). As medições realizadas no Qubit indicaram que Longmire apresentou maior quantidade de DNA íntegro preservado, seguida pelo etanol absoluto, ambos com diferenças significativas quando comparados com o RNALater. Entretanto, no Nanodrop, o RNALater aparentou performar um pouco melhor, mas sem diferença significativa em relação aos demais tratamentos. É importante notar a diferença significativa de custo entre eles, sendo Longmire e RNALater aproximadamente 27 e 287 vezes mais caros que o etanol absoluto, respectivamente. Além disso, foi observada influência das guildas alimentares nos resultados, uma vez que as fezes de morcegos frugívoros apresentaram maiores concentrações de DNA em todas as soluções e medições. Nossos resultados demonstram o potencial do tampão Longmire como uma alternativa eficiente e economicamente viável para a conservação de amostras fecais de morcegos em ambientes tropicais, dispensando a necessidade de refrigeração imediata e facilitando atividades de campo em áreas remotas. Dessa forma, o método contribui para a definição de protocolos mais adequados para estudos moleculares com amostras não invasivas. Agradecimentos: FAPESP (CEPID-CBioClima, 2021/10639-5; 2024/22154-4); CNPq (MCTI Nº 10/2023 – Universal Faixa A; 306292/2025-4). |
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| 10 | 4768411 | Inventário de espécies | João Vitor de Souza +4 | |
AutoriaJoão Vitor de Souza1, Amábilyn Grazielle do Santos Faria1, Yuri Daitschman Ozogovski2, Maria Eduarda Zampier1, Lays Cherobim Parolin1
ResumoOs morcegos apresentam características comportamentais que dificultam seu monitoramento por métodos não invasivos em ambientes naturais, especialmente devido aos hábitos noturnos, elevada mobilidade e rapidez nas interações com recursos do ambiente. Em estudos recentes, armadilhas fotográficas foram empregadas como alternativa para o registro de atividades e comportamentos sem interferência direta dos pesquisadores. O presente trabalho sintetiza experiências obtidas em três estudos que utilizaram armadilhas fotográficas para monitorar respostas comportamentais de morcegos a estímulos olfativos em áreas de Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista. Quando comparados a estudos que utilizaram monitoramento direto associado a redes de neblina, os estudos analisados apresentaram uma quantidade substancialmente menor de registros da atividade de morcegos. Embora a técnica apresente vantagens como monitoramento contínuo, maior tempo amostral e baixa interferência sobre os animais, foram observadas limitações que podem comprometer a interpretação dos resultados. Entre as limitações observadas destacam-se o elevado custo dos equipamentos em comparação a outros métodos, restringindo a disponibilidade de unidades e a padronização dos arranjos experimentais, além de falhas no armazenamento de dados, frequentes acionamentos sem atividade animal registrada e dificuldades na identificação taxonômica de animais de pequeno porte. Entretanto, a principal limitação observada foi a potencial subdetecção de eventos rápidos. Registros de campo demonstraram situações em que as câmeras foram acionadas por estímulos externos, registrando animais já posicionados na área experimental antes do acionamento da câmera, evidenciando a possibilidade de eventos comportamentais passarem despercebidos pelo sistema de detecção. Essa observação levanta a hipótese de que investidas rápidas, típicas do comportamento de morcegos, podem ocorrer sem serem adequadamente detectadas pelo sistema de disparo, resultando em possível subestimação da atividade desses animais. Dessa forma, embora armadilhas fotográficas representem uma ferramenta valiosa para estudos comportamentais, recomenda-se sua utilização de forma complementar a outros métodos de amostragem em pesquisas com morcegos. |
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| 11 | 9373306 | Inventário de espécies | ELIZABETE CAPTIVO LOURENÇO +57 | |
AutoriaELIZABETE CAPTIVO LOURENÇO1, Marcelly Leitão Dias1, Alan da Costa1, Alice de Moraes Calvente Versieux1, Ana Julia Camargo Charles1, Ana Luisa de Sousa e Castro Melo1, Ana Maria Dal Molin, Andre Rodrigo Rech, Andreo Diomar Hanze, Andros Tarouco Gianuca, Ariely Ferreira, Breno melo Carril, Bruna da Silva Xavier, Bruna Gabriela da Silva Souza, Caio Braga, Cíntia Fernanda da Costa, Clícia Alana Goes Santana, Diovana Batista de Macedo, Evelin Silveira, Gabriele Victoria Souza da Silva, Gustavo Gonçalves Pereira, Ilmara Aparecida Oliveira Ferreira, Inara Augusto Rossi, Izidoro Sarmento do Amaral, João Emanoel de Matos santos, João Vitor Lopes Cangussu, Júlia Lins Luz, Kamilla Marques, Larissa Albertini Bruno de Abreu, Larysson Feitosa dos Santos, Luan Arthur Queiros, Luane Maria Stamatto Ferreira, Luciana de Moraes Costa, Lumma Taynara Ferreira de Paula, Maria Betânia Fonseca Furtado, Maria Clara Balbino de Assis, Maria de Jesus Almeida, Maria Eliza Bernardo de Oliveira, Maria Isabela Lourenço de Pina, Mariana Vale Ferreira, Maricélio de Medeiros Guimarães, Mário Júnior Saviato, Matheus Leonydas Feitosa, Moisés Cesário Ferreira Reis, Orlando Fabián Hernández, Pâmela Lima do Carmo Saviato, Patricia Paludo, Priscila Chagas Stival, Rafael Arruda, Rafael Pereira Allegretti, Rafaela Fernandes Gavinho, Renata Santoro de Sousa-Lima, Ricardo Squeira Bovendorp, Rosane Vera Marques, Thayla Andrade, Thyago Henrique Farias Lourenço, Valentina Breda Bassini, Valesca Afrodite Moreira Gomes
ResumoA Contagem Anual de Morcegos (CAM) é um evento internacional organizado pela Rede Latina-Americana e do Caribe para Conservação dos Morcegos (RELCOM) e promove a amostragem de morcegos concomitantemente em todo mundo. A finalidade da CAM é promover a conservação dos morcegos levando a importância desses animais através de eventos educacionais e da própria amostragem. Em 2025, morcególogos de diferentes instituições de pesquisas se reuniram para participar da XIII CAM, fortalecendo a internacionalização das pesquisas brasileiras e contribuindo para a conservação dos morcegos. O objetivo deste trabalho é relatar o conjunto de dados de parte das amostragens realizadas no âmbito do XIII CAM 2025 no Brasil. A data do evento foi 12 e 13 de dezembro, mas o dataset abrange de 12 a 18. Participaram do evento ao menos 22 instituições e 72 pesquisadores, distribuídos em 24 pontos de amostragens. Apresentamos 10 conjuntos de dados de quatro biomas (Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia e Pampa), incluindo áreas urbanas, abrangendo 16 municípios em nove estados (Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo). As amostragens ocorreram através de redes de neblina, detectores acústicos como AudioMoth e SMMiniBAt. O esforço amostral variou em cada localidade. As amostragens com redes de neblina abrangeram 23 espécies em 328 capturas. As espécies mais capturadas foram Artibeus fimbriatus (n=96), Platyrrhinus lineatus (n=52), Artibeus planirostris (n=46), Artibeus lituratus (n=40) e Carollia perspicillata (n=40). O monitoramento acústico envolveu 959 registros de ao menos 23 espécies; 324 registros foram determinados ao nível de gênero (n=8), 96 registros ao nível de família (n=3) e um registro foi determinado ao nível de ordem. As espécies mais registradas foram Myotis nigricans (n=306), Molossus currentium (n=210), Tadarida brasiliensis (n=168) e Molossus molossus (n=103). O Dataset aqui apresentado será publicado no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBR). Os dados são diversos e provenientes de várias amostragens e enaltece a organização de diferentes grupos de pesquisas e atores para a inserção internacional do Brasil junto à RELCOM e no interesse em prol a conservação dos Morcegos no Brasil. |
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| 12 | 7974422 | Paleontologia | Anita C.de Melo +4 | |
AutoriaAnita C.de Melo1, Carlos R. Moraes-Neto1, Beatriz Marie D. S. Gaglianone1, Tomaz S. T. Machado1, Leandro O. Salles1
ResumoThe fossil record of the family Mormoopidae extends back at least to the Oligocene of Florida. In South America, however, mormoopids are known from only a few Quaternary cave deposits. Among these, the Impossível–Ioiô Cave System (Chapada Diamantina, Bahia, Brazil) represents one of the richest fossil localities for the group. During underwater explorations in one of its flooded conduits, an airlift system was used to recover sediments directly associated with the partially articulated skeleton of Nothrotherium, a medium-sized extinct sloth radiocarbon dated to approximately 8.7 ka. In addition to skeletal remains of Nothrotherium, the recovered sediments yielded a diverse assemblage of microvertebrates, including numerous bat fossils. Although part of this chiropteran material was previously examined by Salles and collaborators in 2014, that study focused exclusively on humeral diversity. Here, we present the first comprehensive assessment of the mormoopid material recovered from the site, with particular emphasis on the extinct South American lineage of Mormoops. The assemblage comprises the following diversity: Pteronotus parnellii group (based on two dentary fragments with teeth, 11 humeral fragments, and 12 radial fragments), Pteronotus gymnonotus (seven humeri, 31 radial fragments, and one mandible), and Mormoops cf. megalophylla (three dentary fragments with teeth, one isolated lower premolar, nine humeri, 17 radii, and two femora). These records demonstrate a somewhat exceptional representation of Mormoopidae within the Impossível–Ioiô Cave System and provide additional evidence for the occurrence of the extinct South American lineage of Mormoops in the Chapada Diamantina. Prior to this study, this lineage had been well documented only from two cave systems in northern Bahia. Given that extant representatives of Mormoops are now restricted in South America to the northwestern margin of the continent, these fossils considerably expand the known Quaternary distribution of the genus and have the potential to contribute with new insights into its evolutionary and biogeographic history. Finally, it is underlined that this study is part of a broader interdisciplinary research program focused on the evolutionary history of Mormoops in the Neotropics. |
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| 13 | 4345787 | Parasitologia/Microbiologia/Epidemiologia | Larissa Albertini Bruno de Abreu +3 | |
AutoriaLarissa Albertini Bruno de Abreu1, Luciana de Moraes Costa2, Helena de Godoy Bergallo1, Elizabete Captivo Lourenço1
ResumoA raiva permanece como uma importante zoonose negligenciada, e a participação dos morcegos em sua transmissão tem adquirido crescente relevância epidemiológica, especialmente diante de registros de ataques de morcegos hematófagos a humanos. Este estudo teve como objetivo relatar um caso de espoliação sanguínea por Desmodus rotundus em um morador da Ilha Grande, município de Angra dos Reis (RJ), e discutir suas implicações para a vigilância epidemiológica e a profilaxia da raiva sob a perspectiva de Uma Só Saúde. O caso ocorreu em março de 2024, na Praia do Mangue, quando um homem de 33 anos apresentou ferimento característico de alimentação por morcego hematófago em um dos dedos do pé. O paciente procurou atendimento médico e seguiu integralmente o protocolo de profilaxia antirrábica recomendado. Relatos locais indicavam ataques recorrentes de morcegos aos cães da residência nas semanas anteriores ao incidente. Em resposta à ocorrência, foi realizada uma campanha de captura de morcegos na área utilizando redes de neblina instaladas ao redor da residência afetada. Durante o monitoramento, foram capturados nove indivíduos pertencentes a cinco espécies de morcegos da família Phyllostomidae. Entre eles, foi registrado um macho adulto de Desmodus rotundus, espécie reconhecida como principal reservatório do vírus da raiva na América Latina. O espécime foi submetido ao teste de Imunofluorescência Direta para diagnóstico da raiva, apresentando resultado negativo. Após a captura do indivíduo, não foram registrados novos ataques a humanos ou cães até fevereiro de 2025. Embora os ataques de morcegos hematófagos a humanos sejam considerados eventos raros no estado do Rio de Janeiro, a ocorrência registrada reforça a necessidade de vigilância contínua em regiões onde há proximidade entre populações humanas, animais domésticos e ambientes florestais. A Ilha Grande apresenta condições favoráveis para a interação entre morcegos e potenciais hospedeiros, além de desafios logísticos relacionados ao acesso à vacinação e ao tratamento pós-exposição. O caso evidencia a importância da identificação precoce das lesões provocadas por morcegos, da busca imediata por atendimento médico e da ampliação das ações de educação em saúde voltadas para a prevenção da raiva. A profilaxia eficaz da raiva depende da integração entre vigilância epidemiológica, monitoramento da fauna silvestre, acesso aos serviços de saúde e educação sanitária da população. O relato contribui para o conhecimento sobre a ocorrência de ataques de morcegos hematófagos a humanos na Mata Atlântica e destaca a necessidade de fortalecer estratégias preventivas capazes de reduzir riscos à saúde humana e animal. |
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| 14 | 2239792 | Parasitologia/Microbiologia/Epidemiologia | Maria Eduarda Furlan +5 | |
AutoriaMaria Eduarda Furlan1, Renata L. Muylaert2, Maurício Humberto Vancine3, David T. S. Hayman4, Milton Cezar Ribeiro, Masako Wada4
ResumoAs atividades econômicas nas regiões neotropicais, principalmente a expansão agrícola, produziram paisagens fragmentadas, alterando os recursos disponíveis para a biodiversidade. Essas mudanças influenciam as populações de importantes reservatórios de patógenos, influenciando no risco de transmissão de doenças zoonóticas. Nos Neotrópicos, o morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus), frequentemente se beneficia de áreas fragmentadas onde pastagens para gado substituem seu habitat nativo, com o gado atuando como fonte de alimento e contribuindo para o crescimento populacional e expansão geográfica da espécie. Como D. rotundus é um reservatório-chave do vírus da raiva (Lyssavirus ssp.), entender sua distribuição é crucial para avaliar e mitigar o risco zoonótico da raiva. Neste estudo, analisamos o risco zoonótico da raiva nos 5570 municípios do Brasil, utilizando indicadores de vulnerabilidade, exposição e perigo, incluindo a distribuição potencial de D. rotundus, os casos de raiva em humanos, a raiva em canídeos e felídeos, e descritores ambientais e socioeconômicos. Geramos diversos modelos de adequabilidade de habitat para inferir a distribuição potencial da espécie e sobrepor com rebanhos de gado e casos de raiva em humanos, disponíveis no Sistema de Transparência Pública do Governo Brasileiro. A partir da avaliação dos modelos de adequabilidade de habitat mais adequados e com base em métodos de priorização espacial, rankeamos os municípios do Brasil com base no risco zoonótico para indicar áreas prioritárias para o combate à raiva. De 2001 a 2024, tivemos uma média de 6 casos de raiva humana por ano registrados em 1.15% dos municípios (N=81). A quantidade máxima de casos ocorreu em Turiaçu, no Estado do Maranhão, com 16 casos registrados em 2005. Embora rara, a presença de casos de raiva foi consistente ao longo da série temporal, apresentando uma distribuição marcada no Estado do Maranhão e na região Nordeste. A presença de raiva humana foi registrada em uma fração da ampla distribuição de seus hospedeiros naturais. Os resultados podem subsidiar intervenções de Saúde Única direcionadas, identificando municípios com elevada suscetibilidade estrutural e histórica ao risco de raiva, apoiando as metas de eliminação da raiva até 2030. Palavras-chave: Desmodus rotundus; Saúde Única; Epidemiologia; Priorização Espacial. Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), processo no 2024/07056-6 e processo no 2024/20504-8. |
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| 15 | 1022317 | Sistemática e Taxonomia | Clara Ananda Guimarães +5 | |
AutoriaClara Ananda Guimarães1, João Luiz S. Coutinho1, Brunna Almeida2, Ricardo Moratelli2, Natasha A. Bertocchi2, Roberto Leonan M. Novaes3
ResumoA Amazônia abriga a maior riqueza de morcegos da região Neotropical, com mais de 140 espécies registradas no território amazônico brasileiro. Estima-se que essa diversidade esteja subamostrada, pois grande parte desse bioma carece de inventários; e subdiagnosticada, devido à ocorrência de espécies crípticas, desafiando a delimitação taxonômica. A região do Marajó é um conjunto de ilhas fluviomarítimas, entre as áreas de endemismo Guiana, Tapajós, Xingu e Belém, sem informações que permitam compreender a similaridade de sua quiropterofauna com as demais regiões amazônicas. Este estudo caracteriza a quiropterofauna da região do Marajó, combinando dados morfológicos e moleculares para identificar as espécies, estimar a diversidade críptica e determinar a similaridade taxonômica e filogenética em relação às áreas de endemismo da Amazônia. Foram analisados 509 espécimes depositados no Museu Nacional/UFRJ, oriundos de amostragens nos municípios de Bagre (2022) e Melgaço (2023). Para as análises moleculares, o banco de dados do gene citocromo-b foi construído com 71 espécimes sequenciados, representando as espécies amostradas, e citocromo-b completo e parcial de morcegos coletados no Brasil (principalmente na Amazônia) e em outros países da América do Sul, Central e México, disponíveis no Genbank (ca. 700 sequências). As relações filogenéticas foram inferidas por Máxima Verossimilhança e Inferência Bayesiana e estimativas de distância par-a-par pelo modelo K2P. A composição da fauna de morcegos nas diferentes áreas amazônicas foi comparada por análise de agrupamento UPGMA, utilizando o índice de Raup-Crick, gerada a partir de uma matriz de presença/ausência com dados da literatura. A região do Marajó apresentou alta riqueza, com registro de 57 espécies de seis famílias, incluindo uma nova espécie do gênero Myotis. A UPGMA evidenciou maior correlação entre a região do Marajó e as áreas de endemismo Xingu e Belém, formando um grupo com alta similaridade juntamente com Rondônia e Tapajós. Além disso, a região do Escudo das Guianas foi a mais dissimilar do conjunto. As análises filogenéticas mostraram estruturação populacional para diferentes espécies, mas sem associação clara com as regiões de endemismo conhecidas para vertebrados terrestres. Os resultados encontrados evidenciam um cenário complexo de diversificação evolutiva de morcegos na Amazônia, demonstrando a necessidade de abordagens integrativas para seguir investigando a história evolutiva do grupo. |
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| 16 | 7073637 | Sistemática e Taxonomia | Gilmax Gonçalves Ferreira +4 | |
AutoriaGilmax Gonçalves Ferreira1, Thayse Cristine Melo Benathar2, Ligiane Martins Moras2, Leonardo Carreira Trevelin3, Valéria da Cunha Tavares3
ResumoDe acordo com a revisão mais recente, Chrotopterus auritus é considerado monotípico. No entanto, desde sua descrição, diferentes interpretações baseadas principalmente em caracteres morfológicos resultaram em hipóteses conflitantes sobre os limites geográficos e evolutivos das formas reconhecidas, variando entre monotípica ou até o reconhecimento de duas ou três subespécies. Neste estudo, investigamos a variação de C. auritus por meio de uma abordagem integrativa, combinando marcadores mitocondriais (cox1 e 16S), marcadores nucleares (DBY íntron 7 e STAT5A), e avaliação de caracteres morfológicos externos e crânio-dentários. Além disso, investigamos a distribuição potencial da espécie e das linhagens recuperadas, por meio modelagens de nicho ecológico. As relações filogenéticas foram inferidas por máxima verossimilhança (MV) a partir de um conjunto de dados composto por 102 terminais, utilizando Vampyrum spectrum como grupo externo. Estimamos distâncias genéticas (K2P), construímos redes de haplótipos e realizamos análises de delimitação de espécies por meio dos métodos ASAP e BPP. Estudamos a morfologia de espécimes representativos de duas das três linhagens recuperadas, obtendo dados contínuos e discretos. As análises revelaram três linhagens bem suportadas e profundamente divergentes, apresentando distâncias genéticas entre 10% e 15%, correspondentes a três haplogrupos distintos, congruentes com os resultados dos métodos de delimitação. Caracteres externos e crânio-dentários permitiram distinguir consistentemente as linhagens atribuídas a C. a. guianae e C. a. australis, fornecendo evidências morfológicas independentes para sua diferenciação. Em conjunto, os resultados corroboram o reconhecimento de C. a. auritus, C. a. guianae e C. a. australis, sustentados por evidências moleculares, ecológicas, morfológicas e bioacústicas. Modelos ecológicos indicaram baixa sobreposição entre as áreas ambientalmente adequadas das linhagens. Evidências bioacústicas disponíveis na literatura mostram padrões compatíveis com essa estruturação, reforçando a hipótese de divergência evolutiva entre as linhagens. Os achados indicam que o complexo C. auritus compreende linhagens evolutivamente independentes e sugerem que sua diversidade específica se encontra atualmente subestimada. Palavras-chave: Big-eared woolly bat; Phyllostomidae; multilocus; Região Neotropical. Financiamento: Instituto Tecnológico Vale – Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS) e CAPES. |
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